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Oxigênio Dissolvido na criação de peixes e camarões



Oxigênio Dissolvido na Aquicultura: Fundamentos e Desafios

O oxigênio dissolvido é um parâmetro crítico na aquicultura, desempenhando um papel crucial na produtividade e saúde de espécies como tilápia, tambaqui e camarões Litopenaeus vannamei. Neste texto, exploraremos a importância do oxigênio dissolvido, suas faixas ideais, os instrumentos para medição, a influência do fitoplâncton e os desafios que as flutuações diárias podem representar.


Importância do Oxigênio Dissolvido:

O oxigênio é essencial para o metabolismo dos organismos aquáticos. Para tilápia, tambaqui e camarões Litopenaeus vannamei, níveis adequados de oxigênio dissolvido são fundamentais para o crescimento, reprodução e resistência a doenças. Baixos níveis de oxigênio podem levar a condições de estresse, comprometendo a saúde dos animais e reduzindo a eficiência da produção.


Faixas Ideais de Oxigênio Dissolvido:

As faixas ideais de oxigênio dissolvido variam entre 5 a 8 mg/L. Manter o oxigênio dentro dessas faixas é crucial para otimizar a produção e garantir a saúde dos animais.


Instrumentos de Medição do Oxigênio Dissolvido:

Para medir o oxigênio dissolvido, aquicultores utilizam instrumentos como sensores ópticos ou eletroquímicos, medidores de saturação e tituladores automáticos. Esses dispositivos oferecem leituras precisas, permitindo o monitoramento regular das condições da água.


Estimativa de Consumo de Oxigênio da Biomassa:

A estimativa do consumo de oxigênio da biomassa é essencial para dimensionar adequadamente os sistemas de aeração. Em cada fase, desde a alevinagem (500g de O2 por Tonelada por hora) até a engorda (250g de O2 por tonelada por hora) o consumo de oxigênio varia. Geralmente, a estimativa considera a taxa de crescimento, a temperatura da água, a densidade populacional e o arraçoamento - que aumenta a demanda de oxigênio momentaneamente logo após a alimentação. Ter em mente essas faixas de consumo relacionadas com a biomassa estocada é super importante para conseguir se estimar aos níveis de biomassa crítica


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A BIOMASSA CRÍTICA na aquacultura refere-se a um ponto em que a densidade populacional de organismos aquáticos atinge um nível que pode resultar em impactos negativos na saúde, crescimento e bem-estar dos animais, bem como na qualidade geral do ambiente aquático. Em outras palavras, trata-se de uma densidade populacional além da qual ocorrem problemas significativos.


Manter a biomassa em níveis adequados é crucial para garantir um ambiente aquático saudável e sustentável. Quando a densidade de organismos, como peixes ou camarões, ultrapassa a biomassa crítica, vários problemas podem surgir, incluindo:


  1. Estresse e Competição por Recursos: Com uma biomassa excessiva, os animais podem enfrentar estresse devido à competição por alimentos, espaço e oxigênio. Isso pode levar a uma diminuição do crescimento e da resistência a doenças.

  2. Acúmulo de Resíduos: Com mais organismos em um espaço limitado, há um aumento na produção de resíduos orgânicos, como fezes e excreções. Isso pode resultar em problemas de qualidade da água, incluindo aumento de amônia e nitritos, prejudicando a saúde dos animais.

  3. Doenças e Parasitas: Populações densas são propensas a problemas de saúde, incluindo a propagação rápida de doenças e parasitas. A transmissão facilitada em densidades mais altas pode levar a surtos e comprometer a produção.

  4. Necessidade de Aeração Suplementar: Em densidades críticas, a demanda por oxigênio pode exceder a oferta natural na água, exigindo sistemas de aeração suplementares para evitar baixos níveis de oxigênio dissolvido.


A biomassa crítica varia de acordo com a espécie, estágio de desenvolvimento, práticas de manejo e sistema aquícola utilizado. Portanto, é crucial que os aquicultores monitorem regularmente a biomassa, ajustem as densidades conforme necessário e implementem práticas de manejo adequadas para garantir a sustentabilidade e a saúde contínua dos organismos aquáticos em seus sistemas.


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Influência do Fitoplâncton no Oxigênio Dissolvido:

O fitoplâncton, através da fotossíntese, desempenha um papel significativo na produção de oxigênio na água. Durante o dia, o fitoplâncton libera oxigênio, aumentando os níveis de oxigênio dissolvido. No entanto, à noite, esse processo se inverte, com o fitoplâncton consumindo oxigênio, um problema muito comum nos sistemas é se observar faixas de oxigênio dissolvido na razão de 2mg / litro pela manhã, animais que não se alimentam nas primeiras horas do dia, e animais boquejando na superfície, esses comportamentos são uma consequencia dos níveis mais baixos de oxigênio na água. Em sistemas com densidades elevadas de fitoplâncton, as flutuações diárias podem ser mais pronunciadas, levando a desafios na manutenção dos níveis ideais de oxigênio.


Impacto nas Perdas de Produção de Manhã:

Flutuações acentuadas de oxigênio dissolvido durante a noite, associadas à atividade do fitoplâncton, podem resultar em níveis subótimos pela manhã. Isso pode causar estresse nos peixes e camarões, afetando negativamente a taxa de crescimento, resistência a doenças e a eficiência alimentar. Portanto, estratégias para minimizar essas variações, como o uso de aeração suplementar, tornam-se cruciais para evitar perdas de produção nos períodos matutinos.





A aeração desempenha um papel vital na aquicultura, sendo essencial para a oxigenação da água e a circulação necessária ao bem-estar dos organismos aquáticos. Dentre os diversos tipos de aeradores disponíveis, cada um apresenta características únicas em termos de eficácia e aplicação. Vamos investigar essas categorias e suas particularidades:



Tipos de aeradores:


Aeradores de Pás: Destacam-se na incorporação de oxigênio. São mais indicados para sistemas maiores.



Bombas Verticais e Aspersoras: Criam um padrão de chafariz, sendo eficazes na oxigenação e não proporcionam tanto movimento da água. São mais adequados para tanques de menor porte.




Sopradores de Ar e Difusores: Colaboram na circulação da água nos tanques. A eficiência na incorporação de oxigênio varia conforme o tipo de soprador e difusor utilizado.


Propulsores de Ar (Venturi) e Power Heads (Venturi): Demonstram boa eficiência tanto na oxigenação quanto na movimentação da água.



Eficiência dos Aeradores

Aeradores de Pás: Destacam-se como os mais eficientes na incorporação de oxigênio (em kg O2 / KW.h). No entanto, podem não ser ideais para sistemas muito pequenos.


Propulsores e Bombas Aspersoras: Apresentam eficiência moderada, sendo úteis em tanques menores.


Bombas Verticais: Apesar de eficientes na oxigenação, não geram movimentação significativa como os propulsores e bombas aspersoras.


Sistemas de Ar Difuso: Menos eficientes na difusão de oxigênio por unidade de energia consumida, sendo mais recomendados para tanques reduzidos. Ampla aplicação em sistemas como "air-lift", "skimmers" e diretamente em biofiltros.



A seleção do aerador apropriado dependerá das exigências específicas do sistema aquícola, do tamanho do tanque e das condições ambientais. Cada tipo de aerador apresenta vantagens e desvantagens, sendo imperativo avaliar sua eficácia na oxigenação e circulação da água para otimizar a produção aquática de maneira sustentável.



Conclusão:

Em conclusão, o oxigênio dissolvido desempenha um papel central na aquicultura, impactando diretamente a produtividade e saúde de espécies como tilápia, tambaqui e camarões Litopenaeus vannamei. Ao compreender as faixas ideais, utilizar instrumentos de medição adequados e considerar a influência do fitoplâncton, os aquicultores podem implementar práticas eficazes para otimizar a produção e enfrentar desafios relacionados às flutuações diárias. A atenção cuidadosa a esses aspectos é essencial para garantir o sucesso a longo prazo de operações aquícolas.


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